Texto adaptado dos artigos “FPF institui jogadora-objeto no Paulista” publicado pela Folha de São Paulo em 16/09/2001, e, “Paulista feminino acha o ‘futebol bonito’ em peneira” publicado pela Folha de São Paulo em 21/09/2001.
“No lugar dos cabelos ralos, longos rabos-de-cavalo. Dos calções masculinos, shorts minúsculos. Da cara limpa, a maquiagem. No campeonato feminino de 2001 da Federação Paulista de Futebol, a beleza foi vista como requisito fundamental na seleção das atletas.
No projeto, elaborado em conjunto com a Pelé Sports & Marketing, o embelezamento das atletas foi um dos objetivos principais para o sucesso do torneio. “Desenvolver ações que enalteçam a beleza e a sensualidade da jogadora para atrair o público masculino”, diz um dos pontos.
Em seu discurso no lançamento da competição, o presidente da FPF, admitiu a necessidade na mudança do atual perfil das atletas da modalidade no Brasil. “Temos que mostrar uma nova roupagem no futebol feminino, que está reprimido por causa do machismo. Temos que tentar unir a imagem do futebol à feminilidade”, disse o dirigente. E completou ainda, “vamos ter um campeonato tecnicamente bom e bonito”.
Conforme as regras do Paulista, a meia Sissi, principal jogadora da história do futebol feminino brasileiro, não teria vez no torneio. Sissi, que na ocasião defendia a equipe campeã da primeira edição da WUSA (Liga norte-americana de futebol), tem os cabelos raspados.
“Aqui, com cabelos raspados não joga. Está no regulamento”, disse o vice-presidente da FPF, responsável pela organização do torneio paulista. O dirigente, entretanto, nega que a questão estética prevalecerá sobre o aspecto técnico no processo de seleção das atletas. “Se tivermos de escolher uma menina feia que jogue bem ou uma bonita que jogue mais ou menos, escolheremos a feia. Pode ter certeza”, declarou.
Entre as atletas o discurso dos dirigentes provocou polêmica. Algumas acreditavam que a estratégia poderia facilitar o desenvolvimento do futebol feminino, como uma atleta do Juventus que declarou “agora a mídia vai querer comprar o futebol feminino. A TV vai mostrar que há mulheres jogando”, ou outra atleta da mesma equipe que disse “a imagem das velhas jogadoras trouxe preconceito à modalidade. Agora a mulher poderá provar que não precisa ser masculina para jogar”.
Por outro lado, a estratégia da FPF também provocou descontentamento, como apontam algumas meninas que participaram da “peneira” da Federação Paulista de Futebol para seleção de atletas. Uma das aprovadas no teste declarou “acho que a beleza me ajudou sim. Eu mal toquei na bola e fui selecionada” a atleta afirmou ainda que considera o critério de seleção preconceituoso completando que “muitas meninas que jogaram muito bem aqui não foram selecionadas por não serem bonitas”, já uma garota reprovada nos testes declarou decepcionada “eu joguei bem, me esforcei. Isso [o critério] é uma coisa que eu queria entender. Tem menina que está aqui, não sabe jogar e foi aprovada. Eu jogo futebol há sete anos”, disse inconformada”.
Muito Legal o texto :D
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